segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Espécies X Híbridos

Espécies, por definição, são plantas oriundas da natureza e que são descritas por taxonomistas. Nas orquídeas podem ocorrer variações naturais de uma espécie,  e  assim  um  terceiro  termo  é  adicionado  após  a  abreviação  ‘var.’ (escrito em romano e em letras minúsculas). É chamado de epíteto varietal e deve ser escrito em itálico e em letras minúsculas. Como exemplo temos a

Cattleya walkerianavar. alba, cujas flores são brancas.

Os híbridos são plantas resultantes do cruzamento de espécies diferentes (do mesmo gênero ou de gêneros distintos) e que podem ter origem natural ou induzida pelo homem. Híbridos de origem natural, ou simplesmente híbridos naturais, são cruzamentos realizados por agentes polinizadores presentes na natureza  (insetos,  pássaros,  entre  outros)  enquanto  que  os  híbridos  feitos pelo homem são chamados de híbridos artificiais.
            Quando espécies diferentes, pertencentes a um mesmo gênero, são cruzadas naturalmente, origina-se um híbrido que deverá seguir a nomenclatura oficial: após o gênero deve-se acrescentar um ‘x’, indicando tratar-se de um híbrido. Exemplo: Cattleya  x  dolosa,  que  é  o  resultado  do  cruzamento  de Cattleya walkeriana com Cattleya loddigesii.


O híbrido resultante do cruzamento entre espécies de gêneros diferentes é indicado  da  seguinte  maneira:  acrescenta-se  um  ‘x’  antes  do  gênero  (cujo nome  resulta  da  contração  dos  gêneros  envolvidos),  acrescido  do  epíteto específico. Exemplo: x Laeliocattleya leeana‘Picardy’, é o híbrido resultante do cruzamento natural entre Cattleya loddigesiix Laelia pumila.


Por serem as plantas mais hibridizadas pelo homem e conter o maior número de híbridos artificiais, as orquídeas seguem uma nomenclatura própria. No caso  mais  simples,  a  regra  é  retirarmos  partes  do  nome  de  cada  gênero envolvido no cruzamento para criar o nome do novo híbrido.
Por  exemplo,  quando  hibridizamos  estes  três  gêneros:  Brassavola, Laelia e  Cattleya,  temos  um  híbrido  cujo  novo  gênero  é  chamado  de ‘Brassolaeliocattleya’,  ou  simplesmente  é  abreviado  com  as  letras  iniciais dos três gêneros: ‘Blc.’


Quando há muitos gêneros envolvidos no cruzamento, torna-se inviável formar um nome com partes de cada um dos gêneros envolvidos, principalmente pela dificuldade de pronuncia. Dessa forma, os híbridos resultantes recebem um nome acrescido do sufixo ‘ara’.Por exemplo, o híbrido resultante do cruzamento entre os gêneros Sophronitis, Laelia, Cattleyae Brassavola recebeu o nome de Potinara, em homenagem a um orquidófilo famoso (no caso Potin, acrescido da terminação ‘ara’).


As abreviações, tanto de híbridos como de espécies, também são comuns e seguem as normas da Sociedade Real de Horticultura (RHS), escritas em itálico e com ponto final. Assim, o híbrido ‘Ascocenda’ pode ser abreviado para ‘Ascda.’


Outro  termo  utilizado  para  espécies  e  híbridos  de  orquídeas  é  o  epíteto ‘cultivar’ (= variedade cultivada). A nomenclatura deve seguir as regras do ‘Código  Internacional  de  Nomenclatura  Botânica  para  Plantas  Cultivadas’, sendo  grafado  entre  aspas  simples.  Na  orquidofilia,  o  ‘cultivar’  representa uma  planta  de  qualidade  superior.  Como  exemplo  temos  a Blc.  Malworth
‘Orchidglade’,  que  representa  o  cultivar  de  qualidade  superior  dentre  os vários híbridos de Blc. Malworth. Além  disso,  plantas  que  participam  de  exposições  oficiais  apresentam referências a entidades que as julgaram e a prêmios recebidos. Por exemplo, Blc. George King ‘Serendipity’ AM/AOS, onde AM/AOS significa Award of Merit (Honra ao Mérito), fornecido pela American Orchid Society.




AMERICAN  ORCHID  SOCIETY  (AOS). Handbook  on  judging  and  exhibition.

Delray Beach: American Orchid Society, 11th edition, 2002.

ANARUMA,  F. Comentários  sobre  critérios  básicos  para  o  julgamento  deorquídeas. Boletim  da  Coordenadoria  das  Associações  Orquidófilas  doBrasil (CAOB). Rio Claro – S.P., n.2, p. 29-37, 1993.

BARROS,  F.;  KERBAUY,  G.B.  et  al. Orquidologia  sul-americana:  umacompilação cientifica. São Paulo: Secretaria de Estado do Meio Ambiente,Instituto de Botânica, 2004. 192p.
BOLETIM  TÉCNICO.  Instituto  Biológico. Aspectos  Fitossanitários  dasOrquídeas.São Paulo, n.11, p. 5-51, 1998.

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